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  • Jônatas Oliveira

O que se ganha com a nossa insatisfação?

Vivemos em uma sociedade na qual toda e qualquer insatisfação gera um capital econômico muito grande. Quando um novo aparelho celular é lançado, por exemplo, aquele que há poucos meses era útil e inovador já não é mais. Uma roupa que no último inverno estava na moda, neste já não está mais. Nos é vendida, então, a ideia de que adquirir esses itens nos trará felicidade, visibilidade e aceitação. Assim, nunca estamos satisfeitos com o que temos. O mesmo vale para a forma como os nossos corpos são tratados.

A indústria, as ou os ​influencers,​ a mídia... Todos passam a mesma mensagem, principalmente às mulheres: tenha um corpo magro, definido e um rosto perfeito, assim você será realizado e absolutamente saudável. Dessa forma, vive-se na busca desenfreada por uma alimentação tida como saudável, “limpa”, por exercícios extenuantes, por procedimentos estéticos invasivos (não sou contrária a tais procedimentos, mas apenas aos excessos). Porém, como atingir esse ideal de beleza e de saúde?

Mães, trabalhadoras, donas de casa, humanas. Esquecem que temos multitarefas e multifunções a desempenhar. Esquecem que há formatos diferentes de corpos, níveis sociais diversos, profissões variadas. Esquecem as demais cobranças diárias. Esquecem que somos seres humanos. Nossos corpos são tidos como máquinas, as quais não podem errar, devem ser impecáveis em seus trabalhos. No entanto, máquinas não são dotadas de emoções. Exigir de alguém a “perfeição” (e este termo deve ser questionado, por ser relativo. O que é perfeição? Para quem?) é cruel e desumano. E, ao contrário do que dizem, não leva à saúde total, mas sim ao adoecimento, seja ele físico e/ou mental.

Portanto, fica um chamado ao bom senso e à autocompaixão. Será mesmo que corpos esculpidos são sinônimo de saúde? Até que ponto temos nos deixado levar pelas insatisfações geradas internamente e pelo ambiente? Temos nos abraçado e aceitado a ponto de não dar ouvidos à modernidade líquida e fútil? Apenas uma revolução interna calará as vozes que enriquecem às custas dos nosso bens maiores: nossos corpos, nossos templos.



Texto de Samira Oskinis (@nutri_samioskinis)


Samira Oskinis é graduada em Nutrição pela UNIFESP, Especialista em Cuidados Intensivos de Adultos pela UNIFESP, Nutrição da Mulher (IAPP) e atua no corpo clínico Complexo Hospitalar Municipal de São Bernando do Campo.



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