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  • Jônatas Oliveira

Insatisfação com o corpo

Muitas pessoas procuram a nutrição justamente pelo fator "insatisfação com o corpo". Mas é importante fazer uma viagem ao passado (e isso pode doer um pouco) e pensar quando foi ou quando foram as primeiras vezes em que você se sentiu inadequado(a). Foi quando ‘brincaram’ com você na escola? Nas festas de família? Ou foram nos primeiros relacionamentos quando alguém tomou o direito de questionar o seu corpo?


Pode ter sido também pelo contato que você teve com imagens, revistas ou televisão. Existe um estudo bem antigo que mostrou que a chegada da televisão nas Ilhas Fiji resultou no surgimento de um comportamento: vômitos autoinduzidos para perda de peso! (1) Imagine como foi para aquelas meninas pensar, pela primeira vez, na possibilidade de que isso traria um novo corpo!


Por que, então, somos tão influenciados pela mídia e pelas imagens editadas incessantemente? Imagens criam significados com base em associações na medida em que um conceito é associado à imagem. Já percebeu como propagandas de perfume são as coisas mais paranoicas que existem? E funciona! Você, mulher, acredita que ficará mais bonita, elegante e sensual? Ficará apenas cheirosa. Imagens de pessoas com corpos considerados “padrão” são geralmente associadas à felicidade, à sensualidade e ao sucesso. Isso cria, dentro de você, insatisfação suficiente para o sistema lucrar com diversas estratégias de emagrecimento.


Cabe pontuar que emagrecer não é sinônimo de felicidade, mas pode ser sinônimo de autoestima, ou seja, ela pode melhorar. Mas a autoestima (spoiler de um próximo texto) é baseada em parâmetros muito frágeis como narcisismo, comparações e quando precisamos estar acima da média. Então, emagrecer, neste contexto (buscando felicidade), pode ser um pouco perigoso. Imagine conseguir ser feliz e se amar antes ou durante o processo de emagrecimento. Por que as pessoas sempre colocam condições para suas felicidades? "No dia em que for magra..."


Um estudo recente revisou materiais publicados no Brasil sobre padronização de corpos e dietas.2 O autor mostrou conceitos e textos do editorial da revista Claudia e discutiu diferenças entre a Enciclopédia da mulher e a Enciclopédia do homem, mostrando que, na enciclopédia da mulher, existia uma série de guias de “como ser” e “como fazer”. Atualmente, as mulheres vêm discutindo padrões impostos pela sociedade e emagrecer está entre eles. Afinal, você quer emagrecer por você ou pelos outros?


Referências:

1 Anne E. Becker. (2004). Television, disordered eating, and young women in Fiji: Negotiating body image and identity during rapid social change. Culture, Medicine and Psychiatry, v. 28, n. 4, p. 533-559, 2004.

2 Marcel da Silva Esteves, P. (2019). O efeito de padronização de corpos, dietas e regimes pelo discurso médico. Revista Ingesta, 1(1), 124-139. Recuperado de http://www.revistas.usp.br/revistaingesta/article/view/151711

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