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  • Jônatas Oliveira

Feliz ano novo: uma reflexão sobre metas e estado emocional

O ano começou! E, com todo o simbolismo que há na mudança e na passagem, ficamos um pouco incomodados com coisas do velho ano que não foram concretizadas e também com vários planos para o novo ano. Neste período também, temos várias festas e confraternizações que envolvem comida, às vezes com alguns exageros, mas, de fato, muitos alimentos fora da rotina.


Isso gera preocupação e, por vezes, metas de mudança para o novo ano pautadas, infelizmente, na insatisfação com o corpo e com a forma com que lidamos com a comida.

Existe um aspecto da Psicologia que vou tomar emprestado aqui para aprofundar um pouco mais a questão da insatisfação: a autocrítica. Afinal, a maioria de nós está insatisfeita, em algum nível, com diversas áreas da vida. No entanto, parece que algumas pessoas sofrem mais nessa época e a grande questão da autocrítica é entender quão intensificada ela pode estar em nós. A autocrítica é como uma voz interna que nos diz quando estamos errando. Ela ainda vai um pouco além disso, esbarrando em sentimentos de inadequação, dureza, insensibilidade, cobrança e insatisfação. Existem algumas frases que podem, para além da definição, nos aproximar um pouco mais desse construto. Nas frases a seguir, pense o quanto você se identifica em um nível de 1 (quase nunca) até 5 (quase sempre):


1. Costumo ser um pouco insensível comigo quando estou sofrendo;

2. Sou realmente crítico e severo com meus erros e defeitos;

3. Quando vejo características que não gosto em mim, sou duro comigo mesmo;

4. Sou intolerante e impaciente com os aspectos de que não gosto na minha personalidade;

5. Quando as coisas estão realmente difíceis, sou duro comigo mesmo;


Se você se identificou muito com as cinco frases, significa que é uma pessoa muito autocrítica. Mas respire e aceite em um primeiro momento esse fato. É interessante refletirmos como isso tem sido fonte de sofrimento para nós. Se usarmos esse conceito da autocrítica em nossa relação com o corpo e comida ficará um pouco mais evidente se pensarmos:

Você está mais crítico e severo em relação ao formato do seu corpo e ao seu peso? Tem sido duro consigo mesmo quando pensamentos e sensações de inadequação e insatisfação se apresentam? Tem sido impaciente com sua forma de comer e de cuidar do corpo?


A autocrítica está dentro do conceito de autocompaixão, que é definido por Kristin Neff como uma atitude positiva em relação a nós mesmos. Dentro disso está um aspecto negativo que nem sempre nos ajuda, que é a autocrítica. Trabalhar a autocompaixão e aumentar seus níveis é um treino e uma prática que aumenta muito nossa sensação de bem-estar e está relacionada, inclusive, com a diminuição do comer transtornado e com uma melhor evolução no tratamento dos Transtornos Alimentares.


Nesse começo de ano, é possível, sim, que você tenha indicação de um processo de mudança de comportamento, melhora da qualidade da alimentação e até emagrecimento. Mas estas mudanças não precisam estar pautadas em uma autocrítica severa. Mudanças também têm uma maior chance de ocorrer dentro de contextos emocionais positivos.


Tente se olhar de forma mais gentil. Isso não significa que você abrirá mão de algum sonho ou vontade, mas é muito provável que você consiga ponderar seus desejos para esse ano e levar as coisas de uma forma mais leve. E, assim, com a facilitação da forma que vemos o mundo e entendemos nossas emoções, realizar nossos desejos, com metas realistas será mais fácil se formos mais compassivos.




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