Buscar
  • Jônatas Oliveira

Comer Emocional

Eu começaria esse tema definindo o que são emoções, emocionalidade ou reações emocionais. As bases neurobiológicas das emoções são estudadas há tempos e ainda existem muitas lacunas. Mas é importante ter em mente que emoção nada mais é do que uma reação que não controlamos para um estímulo ambiental inespecífico, ou seja, o corpo responde ao ambiente com sinais, incômodos ou até mesmo reações muito rápidas. Boa parte deste processo ocorre para nossa proteção. As reações do corpo são questões que não podemos controlar, não escolhemos ter emoções ou respostas emocionais.


Vou te dar um exemplo, um amigo te manda um áudio no WhatsApp e diz algo que te deixa triste, incomodado ou até um pouco assustado (é, de fato, às vezes nem conseguimos dar nome para algumas emoções), e você começa a tentar chegar em alguma conclusão e no meio disso surgem os sentimentos (interpretações que damos para as emoções). É nesse emaranhado que tudo começa a se misturar. Pessoas mais racionais podem lidar de forma diferente daquelas que são mais emocionais, mesmo que ambas tenham vivenciado a mesma emoção.


ome e saciedade, pois estamos sempre sendo estimulados de alguma forma pelo ambiente externo ou por nossos pensamentos. Você carrega pensamentos diversos durante o dia. u negativos. Eu sei que polarizar em positivo ou negativo não é o ideal, mas neste momento pode nos ajudar a dar nomes ou pensar em exemplos de emoções e pensamentos. Fato é que todos temos algum nível de emocionalidade durante o consumo de nossas refeições. Uma vez disse para uma paciente lá no GRECCO, o Grupo de Estudos em Comer Compulsivo e Obesidade do AMBULIM, que nunca seremos só fome e saciedade, pois estamos sempre sendo estimulados de alguma forma pelo ambiente externo ou por nossos pensamentos. Você carrega pensamentos diversos durante o dia.



O que você está pensando enquanto come? Será que seria possível pensar menos? Isso é treinável (tema para um próximo texto). Fato é que podemos nos comportar e interpretar de forma distintas perante a uma emoção. Você pode ter medo (emoção) e pensar em correr (sentimento de ameaça), mas se alguém aponta uma arma para você provavelmente você não correrá (comportamento).



Pensando na comida, você pode estar carregando uma emoção e com pensamentos recorrentes ao longo do dia, mas os comportamentos são, em algum nível, “controláveis”, passíveis de questionamento ou planejamento. Quero dizer com isso que nos momentos em que as emoções estão à flor da pele, e os sentimentos te direcionam a buscar por comida, pode ser que o seu comportamento ceda aos estímulos, mas pode ser que em alguns momentos você escolha por vivenciar a emoção.


Vivenciar emoções negativas sem automaticamente se culpar ou se identificar fortemente com aquele estímulo é uma das premissas da autocompaixão, um conceito que nos ensina a lidar com nossas reações e comportamentos quando tudo dá errado, quando as coisas não acontecem como planejado ou quando nos frustramos com alguma questão. Como você se trata nestes momentos? Tem sido muito reativo(a) aos estímulos? Existe um estudo que comparou dois grupos de mulheres após uma bateria de testes estressores (tarefas, nenhuma delas sofreu dano).


Neste estudo os autores verificaram que as mulheres mais reativas liberaram mais cortisol (hormônio do estresse) e também consumiram mais doces em comparação com aquelas que tinham menor reatividade. Nenhuma delas tinha Transtorno Alimentar ou doenças endócrinas que tenham relação com a liberação de cortisol.


Então as pessoas reativas tem um comer emocional mais agravado? Neste caso parece que sim, e muito provavelmente isso se dá também pela forma que elas interpretam os estímulos (pensamentos que surgem e vamos expandindo, ou “dando corda”), e também pelo aprendizado que elas foram construindo de “como lidar com desconfortos”. Uma vez uma paciente me disse que não tinha comer emocional, “Olha, eu não sou aquelas pessoas que sentam no chão chorando e comer um pote de sorvete”.


Porém faço um contraponto para te dizer que nem todo comer emocional é como vemos em séries de televisão ou novelas. O comer emocional é algo comum e rotineiro, pois sempre teremos alguma emoção presente durante o consumo alimentar. É claro que em alguns dias você pode dizer, “nossa foi tranquilo comer”, exatamente neste tranquilo há um estado emocional, portanto o comer sempre terá algum nível de emoção.


Portanto é preciso entendermos que o comer emocional não é um problema, e talvez ele seja em alguma medida bom, no sentido de mais uma sensação/questão que devemos olhar e perceber o porquê deste incômodo, e como poderíamos resolver ou lidar de forma melhor com as emoções sem usar a comida, porém entendendo que não podemos deixar de comer quando estamos com fortes emoções ou passando por momentos difíceis, e sim, e compreender como temos nos comportado perante a comida, quais escolhas são feitas, se em algum momento a perda de controle aparece, e mais importante, com qual frequência isso ocorre?




60 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

© 2019 por Jônatas Oliveira